REPÚBLICA DA ATEIA território: bacia do Mediterrâneo; capital: Ibiza Malta pode ser um último reduto, a gente não se importa.

8.6.08

lavoures femininos


para medeiros ferreira, a não prática de futebol (leia-se não embrutecer em frente a um televisor) significa feminilidade. male bonding, coisa de gajos e tal e tal; ou porque é que uma certa geração que está no poder político nos deixa presos a uma vivência pré libertação sexual.
não gosto de futebol, o cristiano ronaldo só de quatro, com cara tapada e mordaça na boca, e a aceitação do absurdo de dez estádios novos em 2004, os ordenados obscenos dos profissionais do futebol e a valorização da identidade nacional feita por uma monocultura desportiva tem limites.

14 comments:

maria said...

engraçado, eu pensava que obsceno seria pagar pouco a quem é bom profissional ou então o nosso salário minimo, por exemplo. Afinal é pagar muito a quem é muito bom.

ps- uma pequena nota -no futebol só ganha bem quem é muito bom. mais de 80 por cento das equipas portuguesas têm salarios baixos e em atraso. O que não acontece com 80 por cento das empresas e dos gestores públicos, por exemplo.

dr maybe said...

outro dia disseram-me que um jogador do chelsea ou do manchester ganhava 600 mil euros por mês.
sabe quem pagou os dez estádios que foram construídos para o euro 2004?

maria said...

eu sei quem pagou dez estádios, como sei quem pagou a EXPO, como sei quem pagou a ponte Vasco da Gama , como sei que ainda andamos a pagar a 25 de Abril. Eu sei quem é que em Portugal paga tudo e a quem, em Portugal, tiram tudo. O Futebol dá-nos a única excelência portuguesa no estrangeiro.Nesta indústria somos dos melhores do mundo. Temos o melhor do Mundo.Aflija-se mais com outros gastos...

dr maybe said...

bem, maria, você está com uma futebolítica aguda.

maria said...

nã nã. Estou é farta da mesma conversa de sempre. Estamoss empre a falar mal daquilo em que somos bons. também não gosto de ouvir dizer mal do vinho do Porto.

dr maybe said...

está a ver como somos bons noutras coisas, e só para falar numa, o vinho do porto?

lobotomias said...

Vinho do porto!?! bah!! demasiado doce...

maria said...

o Campeonato da Europa é o segundo maior evento desportivo do Mundo, atrás apenas do Mundial organizado pela FIFA. O Euro 2004 bateu todos os recordes: foi visto por 7,9 mil milhões de espectadores no total, com uma média de 153 milhões de pessoas a assistirem em directo a cada uma das 31 partidas. A final - Portugal-Grécia foi vista por 279 milhões de espectadores - um aumento 157 por cento em relação aos números do torneio de 2000. As imagens televisivas da Europa foram vistas por 446 milhões de espectadores nos Estados Unidos, 986 milhões em África e 1,1 mil milhões na Ásia.Cerca de 1.300 pessoas estarão envolvidas na cobertura durante um período de quatro semanas. Para cada jogo serão destacados, no mínimo, 28 elementos. O Centro Internacional de Transmissão (IBC), em Viena, será o centro nevrálgico internacional, com mais de 10 mil metros quadrados de espaço dedicado à produção e a escritórios para as estações televisivas de todo o mundo, que transmitirão para mais de 200 países ( mas só participam 16).Os registos em relação à prova realizada em Portugal no ano de 2004 somaram 28.378 horas em 234 canais diferentes - um aumento significativo de 165 por cento em relação ao Euro 2000.

ps- ainda gostava de saber se é por gostar de futebol que Portugal é um país atrasado. E o que levará o pessoal civilizado, sei lá, da Suécia, a perder a cabeça com o futebol. O Mundo está perdido!

dr maybe said...

esses números são todos muito interessantes mas continuo sem saber qual a mais valia para portugal. a exportação de jogadores de futebol tem um peso significativo na balança comercial? os agentes económicos ficam subitamente interessados em portugal porque ganhámos uns jogos? a opel volta para a azambuja por causa do prestígio internacional da selecção?
eu tb prefiro um bom alvarinho.

maria said...

dr. só quer dizer o seguinte:

1 - o facto de os portugueses gostarem de futebol não é sintoma de doença nem causa de atraso, conforme a adesão mundial à modalidade comprova.

2 - os portugueses já perceberam que as alegrias não pagam dívidas e bastam os noticiários para perceber que não andamos tolinhos desde sábado.

3 - o impacto que o futebol tem na nossa económia é muito superior ao de um Nobel ou qualquer outra manifestação cultural ( ver os fantásticos filmes de autor pagos pelos povinho e que são vistos por 3 intelectuais). Basta lembrar a divulgação do nome Portugal em larga escala para perceber as evidentes consequências no turismo, por exemplo.

4 - Além disso, nunca vi nenhum menino palestiano gritar Sa-ra-ma-go. Preferiu Cris-ti-a-no.

5- para tratar da balança comercial e da economia o pessoal vai de vez em quando votar nuns gajos.

maria said...

'só quero' e não 'só quer'

dr maybe said...

está a tirar conclusões do que eu não disse, maria.
eu escrevi o post como reação a um post no bichos carpinteiros e era sobretudo relativo a referências sexistas. o meu problema com o futebol é exactamente o mesmo que tenho com o fado; não me consigo identificar como português por aí e acho um erro a importância exagerada que é dada ao futebol. não é o que nos une como nação, é apenas um espectáculo mais nada. ao contrário do que disse num dos seus comentários e de acordo com o que disse mais tarde, eu acho que somos bons em muitas coisas mais e sinceramente acho triste que se continue a exportar a imagem fátima (em versão turismo) futebol e fado. e não é só a imagem exportada, é a imagem que nos é espelhada que não é reveladora da nossa realidade.
por isso até concordo com algo do que disse, mas não posso partilhar consigo esse seu entusiasmo nas vãs glórias do desporto de competição.

maria said...

não é entusiasmo. É oficio.

maria said...

ofício

 
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